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Custos, impostos e vacância: a conta completa de um studio alugado

Receita é o que aparece no anúncio. Resultado é o que sobra depois do condomínio, do IPTU, da gestão, das plataformas, dos dias vazios e do imposto. Esta é a planilha inteira, nas três modalidades de locação — com o detalhamento maior na curta temporada, que é onde a lista de despesas é mais longa.

Por Planik · 17 de setembro de 2026

Quem paga o quê em cada modalidade

Esta é a primeira coisa a entender, porque muda o tamanho da conta antes de qualquer número.

Despesa Tradicional Longa estadia Curta temporada
Condomínio inquilino proprietário proprietário
IPTU inquilino proprietário proprietário
Água, luz, gás e internet inquilino proprietário proprietário
Mobília e enxoval inquilino traz proprietário proprietário
Comissão de plataforma não há não há proprietário, sobre a receita
Administração ou gestão proprietário, quando há imobiliária proprietário, quando há operadora proprietário, quando há operadora
Limpeza inquilino inclusa na gestão a cada saída, inclusa na gestão
Manutenção da unidade proprietário proprietário proprietário

A leitura é direta: quanto mais serviço embutido no aluguel, maior a receita e maior a lista de despesas do proprietário. O contrato tradicional entrega menos por mês, mas com a conta mais enxuta; a temporada entrega mais, com a operação inteira do seu lado.

Duas linhas existem em qualquer uma das três: a manutenção da unidade e o imposto de renda.

A conta na curta temporada, linha por linha

É a modalidade de conta mais longa, e por isso vale ver um caso inteiro. O estudo do NIK Faria Lima, preparado pela Charlie, maior operadora de locação por curta temporada do país, detalha as despesas de um studio de 24 m² no cenário base:

Despesa Valor no mês Tipo
Comissão das plataformas de anúncio cerca de R$ 1.107 percentual da receita
Gestão da operação R$ 1.423 percentual da receita
Condomínio R$ 388 fixo
IPTU R$ 121 fixo
Internet e TV R$ 120 fixo
Água, luz e gás R$ 150 variável
Manutenção R$ 150 variável
Outras cerca de R$ 99 variável

Com diária de R$ 310 e ocupação de 85%, a receita bruta fica perto de R$ 7.900 e sobram R$ 4.348 líquidos. É uma estimativa da Charlie para aquele empreendimento, sem garantia de rentabilidade pela Planik — mas a estrutura da conta vale para qualquer studio.

Duas leituras importam mais do que os valores.

As despesas percentuais — plataformas e gestão — só existem quando entra dinheiro. Mês fraco, comissão menor.

As fixas existem sempre. Condomínio, IPTU e internet chegam mesmo no mês em que ninguém se hospedou. São elas que transformam vacância em prejuízo.

A conta no contrato tradicional

Aqui a planilha cabe em três linhas. Você recebe o aluguel, desconta a comissão da imobiliária quando há uma, e reserva algo para a manutenção da unidade. Condomínio, IPTU e contas de consumo são do inquilino, e é por isso que a fatia de despesas é bem menor — em troca de uma receita mensal menor.

A vacância entra de outro jeito: não é o dia vazio, é o intervalo entre um contrato e outro. E, nesse intervalo, o condomínio e o IPTU voltam a ser seus.

Na estadia mobiliada de um a doze meses, a conta fica no meio do caminho: o preço inclui os serviços, as despesas fixas são suas, e não há comissão de plataforma de hospedagem.

Vacância: a premissa que manda na conta

Vacância é o tempo em que o apartamento não gera receita. No contrato tradicional, é o intervalo entre um inquilino e outro — às vezes um mês, às vezes três. Na temporada, é o inverso da ocupação: 85% de ocupação significam quatro a cinco noites vazias por mês.

Ela não aparece como linha de despesa, mas é o número que mais mexe no resultado. Por isso a decisão se toma pelo cenário base do estudo, com ocupação conservadora, e não pelo cenário otimista.

E por isso a localização vale tanto: bairro com demanda constante — trabalho, ensino, saúde, metrô — é o que sustenta a ocupação em fevereiro, quando o turismo some e a cidade volta ao trabalho.

O custo que o estudo não mostra

Todo estudo de temporada parte do apartamento pronto para receber alguém. Móveis, eletrodomésticos, enxoval, decoração, TV e fechadura digital são investimento inicial, não despesa mensal. Isso vale para a temporada e para a estadia mobiliada; no contrato tradicional, o inquilino traz os móveis e esse custo não existe.

Quem contrata a entrega do apartamento montado e decorado paga esse valor à parte na compra. Quem monta por conta precisa orçar antes das chaves. De um jeito ou de outro, esse dinheiro entra no total investido — e é sobre o total investido, não só sobre o preço do apartamento, que o retorno deve ser calculado.

Imposto de renda sobre o aluguel

Vale para as três modalidades: o aluguel recebido por pessoa física é rendimento tributável, e a regra é direta.

Quando o inquilino é pessoa física, você mesmo recolhe o imposto todo mês, pelo carnê-leão, até o último dia útil do mês seguinte. Quando quem paga é empresa, pode haver retenção na fonte.

A base de cálculo não é o aluguel cheio: dela saem as despesas que você pagou — IPTU, condomínio e a taxa de administração da imobiliária ou da operadora. Se essas deduções forem menores que o desconto simplificado, vale o simplificado.

Sobre o que restar incide a tabela progressiva. Desde janeiro de 2026, quem tem até R$ 5.000 por mês de rendimento tributável não paga imposto, e há desconto parcial até R$ 7.350. Esse limite considera tudo somado — salário, aluguel e o que mais houver.

Na prática: se o aluguel do studio é a sua única renda tributável e fica na faixa dos estudos dos NIK, você provavelmente estará dentro ou perto da isenção. Se você já tem salário, os dois se somam. Vale confirmar com o seu contador, porque a conta muda conforme o conjunto.

Essa é uma diferença que costuma passar batida na comparação com a renda fixa: o rendimento de CDI paga de 15% a 22,5% de imposto sempre, sem faixa de isenção. Em rendas equivalentes, o aluguel chega mais inteiro ao bolso — o que não elimina a vantagem de liquidez da renda fixa, mas muda a conta do lado do imóvel.

A planilha completa, de cima para baixo

Serve para qualquer modalidade; o que muda é quantas linhas você preenche.

  1. Receita bruta: diária × noites ocupadas, ou o aluguel mensal no contrato tradicional.
  2. Menos comissões de plataforma e gestão, quando existem.
  3. Menos as despesas que são suas naquela modalidade: condomínio, IPTU, internet, consumo e manutenção.
  4. = Receita líquida da operação.
  5. Menos imposto de renda, conforme a sua situação.
  6. = O que chega no seu bolso.
  7. Dividido pelo total investido (preço + transmissão + mobília) = o seu retorno anual.

Quando a unidade está numa operação profissional, as linhas 1 a 4 chegam prontas no relatório mensal da operadora, junto com o repasse. Os estudos de rentabilidade entregam até a linha 4. As linhas 5, 6 e 7 dependem de você — e são justamente elas que transformam um estudo bonito numa decisão de compra.

Perguntas frequentes

O que mais perguntam sobre o tema

Quanto das receitas de um studio vai embora em despesas?

Na curta temporada, entre 40% e 50% da receita bruta nos estudos dos NIK, com o peso maior nas comissões. No contrato tradicional, a fatia é bem menor, porque condomínio, IPTU e contas de consumo ficam com o inquilino.

Quem paga o condomínio de um apartamento alugado?

No contrato tradicional, o inquilino. Na estadia mobiliada e na curta temporada, o proprietário — o valor está embutido no preço cobrado e já entra como despesa no estudo de rentabilidade.

Preciso pagar imposto de renda sobre o aluguel?

Sim, pela tabela progressiva, com recolhimento mensal quando o inquilino é pessoa física, em qualquer modalidade. Desde 2026, rendimentos tributáveis de até R$ 5.000 por mês são isentos, somando todas as fontes.

Condomínio e IPTU abatem do imposto?

Abatem quando são pagos por você, junto com a taxa de administração. Eles reduzem a base de cálculo.

O estudo de rentabilidade inclui a mobília?

Não. Mobília, enxoval e decoração são investimento inicial. A entrega montada e decorada é um serviço opcional oferecido com parceiros da Planik.

O que é vacância e como reduzi-la?

É o tempo sem receita. Reduz-se com localização de demanda constante, preço bem calibrado e operação profissional — anúncio bom, resposta rápida, avaliação alta.

Fontes e revisão

<p>Estudo de rentabilidade do NIK Faria Lima (Cunha Gago), preparado pela Charlie, 2026 — projeções estimadas, sem garantia de rentabilidade pela Planik. Receita Federal: regras do carnê-leão e tabela do imposto de renda para 2026, com a faixa de isenção criada pela Lei 15.270/2025. Índice FipeZap de Locação Residencial, 2026. A divisão de despesas por modalidade segue a prática de mercado e pode variar conforme o contrato firmado entre as partes.</p>

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